Nos anos 80, as constelações focavam questões pessoais e familiares e foram denominadas por “terapia breve” por trazerem soluções em curto espaço de tempo
Nos anos 90, foram introduzidas em empresas e outras organizações, substituindo, com muita eficácia, métodos e procedimentos tradicionalmente utilizados em consultoria sistêmica.
Nos anos 2000, entraram em escolas, por meio de novas metodologias de ensino e relacionamento entre professores, alunos, pais e direção, sendo denominadas por pedagogia sistêmica ou educação sistêmica.
Em seguida, alcançaram o campo do Direito e hoje são importantes instrumentos de auxílio no encaminhamento de soluções processuais em vários fóruns brasileiros.
As constelações são utilizadas também em atendimentos individuais, como principal caminho terapêutico ou como auxiliares em distintas abordagens dos profissionais da ajuda psicológica e corporal
Como se explica esse crescente movimento de expansão?
Na eficácia de seus métodos, ao proporcionar resultados bem rápidos e simples a questões complexas e, às vezes, aparentemente insolúveis.
A fórmula desse sucesso é olhar o mundo do ponto de vista sistêmico, ampliando a consciência, e perceber que a vida, de ponta a ponta, se faz por meio de vínculos e trocas, nas quais cada uma das partes desempenha um papel fundamental na composição do todo.
O que são constelações sistêmicas
CONSTELAÇÕES FAMILIARES, ORGANIZACIONAIS E EDUCAÇÃO SISTÊMICA
Criadas nos anos 80 pelo alemão Bert Hellinger, as Constelações constituem um método terapêutico inovador, baseado no princípio de que pertencemos a diferentes sistemas de relações, sendo a família a estrutura básica.
Essa abordagem revela que muitos de nossos sentimentos, limitações e dificuldades podem ser consequência de fatos ocorridos com outros membros da família, inclusive em gerações passadas. Inconscientemente, agimos de forma a tentar solucioná-los, vivenciando situações e sentimentos inadequados, que podem se manifestar em limitações, doenças e, até, acontecimentos trágicos.
Tendo como base o pensamento sistêmico e o princípio da ressonância mórfica, nessa abordagem olhamos para os vínculos e as forças que atuam no sistema, que, ao emergirem, podem conduzir a transformações profundas e definitivas nesses emaranhados, pois agem nos desbloqueios e na reintegração dos fluxos de amor entre as pessoas.
Bert Hellinger | fonte: Wikipedia
Além de temas pessoais e familiares, as Constelações atuam também em doenças, sintomas, fobias, síndromes, em tomada de decisão, em nível profissional, nos negócios, heranças, em empresas, e podem ser realizadas com pessoas de qualquer idade, inclusive crianças.
Em diversos países, esse método tem sido utilizado por grandes corporações, auxiliando na resolução de conflitos internos, contratação de pessoas, fusões, lançamento de novos produtos, terceirização, etc.
Praticadas no Brasil há poucas décadas, as constelações familiares e a consultoria sistêmica (organizacional) têm substituído muitas abordagens tradicionais, por equilibrar/curar não apenas os sujeitos, mas o sistema e seus vínculos.
É fácil vislumbrar a importância da pedagogia sistêmica – princípios das constelação aplicados em escola – como forma de harmonizar as relações, lidar com o bullying, facilitar a cooperação, o aprendizado e criar um ambiente de respeito entre todos os envolvidos.
No âmbito pessoal, as constelações têm sido procuradas, cada vez mais, por pessoas que já experimentaram outras abordagens para tratar de problemas emocionais e físicos e encontraram aí soluções simples, eficazes e rápidas para questões bem complexas.
Por ser uma abordagem inovadora, as Constelações Sistêmicas permanecem ainda pouco conhecidas, inclusive na área terapêutica, na consultoria organizacional, na educação e na área jurídica, quatro grandes campos nos quais seus princípios e técnicas têm muitas contribuições a oferecer..
A grande diferença desse modelo é olhar para o sistema e ter foco na solução e não no problema, o que causa resistência em pessoas habituadas à individualização do real, como se, por exemplo, depressão, pânico, obesidade, solidão, conflitos com pais e filhos, dificuldades no aprendizado, etc, fossem de responsabilidade apenas do “eu” e não do contexto mais amplo e de forças que atuam para além da alçada pessoal: a consciência sistêmica.
Agonizante há várias décadas, o velho paradigma cartesiano – que prioriza a parte em relação ao todo, o indivíduo e não o sistema – insiste em reproduzir antigos modelos de abordagem sobre pessoas, coisas, ideias e relações, como se pudesse permanecer eternamente aí e o mundo não estivesse em profunda transformação. Parafraseando Bert Hellinger, criador das Constelações Familiares, “quem tem pressa é o passado; o futuro anda devagar porque sabe que vai chegar”.
Um psicólogo ou um terapeuta, inclusive corporal, encontra na abordagem sistêmica das Constelações um manancial consistente de novas ferramentas de trabalho, sem que tenha que ser um constelador. Um consultor sistêmico organizacional – relações públicas, administrador de empresa, publicitário, assistente social, etc – pode recorrer a ferramentas infinitamente mais abrangentes e eficazes do que as tradicionais técnicas desenvolvidas para a área empresarial, repassadas em cursos universitários, sem qualquer inovação estrutural. Nas instituições de ensino, a educação sistêmica contribui para harmonização das relações, a cooperação, o desaparecimento do bulliyng, o respeito, a qualificação da relação escola-família, com reflexos diretos no aprendizado e na formação de novos cidadãos. O mesmo ocorre com o campo jurídico, no qual as constelações, por permitirem o desvendamento da consciência sistêmica e o aprofundamento das relações de amor e respeito, dão acesso direto à informação e à verdade dos fatos, para além das interpretações e dos interesses dos sujeitos envolvidos.





